Excel costuma ser um dos assuntos que mais preocupam quem começa a estudar informática para concursos.
À primeira vista, uma planilha cheia de células, fórmulas e símbolos pode parecer complicada. Mas boa parte das questões começa por conceitos relativamente simples.
O erro de muitos candidatos é tentar decorar dezenas de funções antes de compreender como uma planilha funciona.
A estratégia mais eficiente é fazer o contrário: primeiro entender células, referências, intervalos e fórmulas. Depois avançar para as principais funções e, por fim, estudar cópia de fórmulas e referências relativas e absolutas.
Neste guia, vamos percorrer exatamente esse caminho.
Antes das fórmulas: entenda a estrutura da planilha
Uma planilha é organizada basicamente em linhas e colunas.
As colunas são normalmente identificadas por letras, como A, B, C e D. Já as linhas são identificadas por números: 1, 2, 3, 4 e assim por diante.
O encontro entre uma coluna e uma linha forma uma célula.
Assim, A1 representa a célula localizada na coluna A e na linha 1.
Da mesma maneira, C5 representa a célula localizada na coluna C e na linha 5.
Esse sistema é chamado de referência de célula.
Pode parecer básico, mas esse conceito é fundamental para compreender praticamente tudo que vem depois.
O que é um intervalo?
Um intervalo representa um conjunto de células.
Por exemplo:
A1:A5
Essa expressão representa todas as células entre A1 e A5: A1, A2, A3, A4 e A5.
Agora observe:
A1:C3
Nesse caso, temos um intervalo que envolve várias linhas e colunas, começando em A1 e terminando em C3.
Em provas, reconhecer corretamente um intervalo é importante porque diversas funções utilizam referências desse tipo.
Toda fórmula começa com o sinal de igual
Essa é uma das primeiras regras que você precisa conhecer.
Quando queremos realizar um cálculo por meio de uma fórmula, usamos o sinal de igual:
=
Por exemplo:
=2+3
O resultado será 5.
Também podemos realizar cálculos utilizando referências de células.
Imagine que:
A1 = 10
B1 = 5
Podemos escrever:
=A1+B1
O resultado será 15.
A grande vantagem é que, se o conteúdo de A1 ou B1 for alterado, o resultado da fórmula será recalculado automaticamente.
É justamente isso que torna as planilhas tão poderosas.
Atenção à ordem das operações
As planilhas seguem regras de precedência matemática.
Observe esta fórmula:
=2+4*3
O resultado não será 18.
A multiplicação é executada primeiro:
4 × 3 = 12
Depois é realizada a soma:
2 + 12 = 14
Portanto, o resultado é 14.
Agora observe:
**=(2+4)3*
Nesse caso, os parênteses alteram a ordem das operações.
Primeiro:
2 + 4 = 6
Depois:
6 × 3 = 18
Resultado: 18.
Esse exemplo mostra como uma pequena alteração na fórmula pode mudar completamente a resposta.
Função SOMA
A função SOMA é uma das primeiras que você deve dominar.
Imagine que as células A1 até A5 contenham valores que precisam ser somados.
Podemos utilizar:
=SOMA(A1:A5)
Em vez de escrever:
=A1+A2+A3+A4+A5
As duas formas podem produzir o mesmo resultado, mas a função SOMA deixa a fórmula muito mais prática.
Exemplo
Se tivermos:
A1 = 10
A2 = 20
A3 = 30
A fórmula:
=SOMA(A1:A3)
retornará:
60
Função MÉDIA
Outra função importante é:
=MÉDIA(A1:A5)
Ela calcula a média aritmética dos valores existentes no intervalo informado.
Imagine:
A1 = 6
A2 = 8
A3 = 10
A fórmula:
=MÉDIA(A1:A3)
calcula:
(6 + 8 + 10) ÷ 3
O resultado será:
8
Funções MÁXIMO e MÍNIMO
Essas duas funções são fáceis de compreender e merecem atenção.
A função:
=MÁXIMO(A1:A10)
retorna o maior valor encontrado no intervalo.
Já:
=MÍNIMO(A1:A10)
retorna o menor valor.
Imagine uma lista de notas:
5, 7, 9, 6 e 8.
Nesse caso:
MÁXIMO = 9
MÍNIMO = 5
O importante é compreender o que cada função procura dentro do intervalo.
Função CONT.NÚM
Outra função que pode aparecer é:
=CONT.NÚM(A1:A10)
Ela conta quantas células do intervalo possuem valores numéricos.
Imagine:
A1 = 10
A2 = 20
A3 = Maria
A4 = 15
Existem três células contendo números.
Portanto, CONT.NÚM retornará:
3
Observe que a função não está somando os números.
Ela está simplesmente contando quantas células possuem números.
Essa diferença pode aparecer facilmente em uma questão.
Função SE: entendendo a lógica condicional
A função SE verifica uma condição e apresenta determinado resultado dependendo de ela ser verdadeira ou falsa.
Sua estrutura básica é:
=SE(teste_lógico; valor_se_verdadeiro; valor_se_falso)
Imagine que A1 contenha a nota de um aluno.
Queremos que a planilha mostre APROVADO quando a nota for igual ou superior a 7.
Podemos utilizar:
=SE(A1>=7;"APROVADO";"REPROVADO")
Se:
A1 = 8
o resultado será:
APROVADO
Se:
A1 = 5
o resultado será:
REPROVADO
O mais importante não é decorar a fórmula inteira.
É compreender a lógica:
Se determinada condição for verdadeira, faça uma coisa. Caso contrário, faça outra.
Quando esse raciocínio fica claro, a função SE deixa de parecer complicada.
Operadores de comparação
Dentro de fórmulas condicionais, alguns símbolos também merecem atenção:
- > significa maior que
- < significa menor que
- >= significa maior ou igual
- <= significa menor ou igual
- = significa igual
- <> significa diferente
Por exemplo:
=SE(A1<>0;"PREENCHIDO";"ZERO")
Nesse caso, <> significa “diferente de”.
Esses pequenos detalhes podem fazer diferença na hora da prova.
Referência relativa: o que acontece quando copiamos uma fórmula?
Agora chegamos a um conceito muito importante.
Imagine a fórmula:
=A1+B1
Se ela for copiada uma linha para baixo, normalmente será ajustada para:
=A2+B2
Isso acontece porque A1 e B1 são referências relativas.
Elas acompanham a mudança de posição da fórmula.
Esse comportamento é extremamente útil durante o uso de planilhas e também é bastante explorado em questões.
Referência absoluta: o famoso símbolo $
Imagine agora que uma determinada célula contenha uma taxa que deverá permanecer fixa em todos os cálculos.
Nesse caso, não queremos que a referência mude quando a fórmula for copiada.
É aí que aparece o símbolo $.
Por exemplo:
=$A$1
Nesse caso, tanto a coluna A quanto a linha 1 estão fixadas.
Mesmo que a fórmula seja copiada para outra posição, a referência continuará apontando para A1.
Essa é uma referência absoluta.
E quando existe apenas um símbolo $?
Também é possível fixar apenas uma parte da referência.
A$1 significa que a linha 1 permanece fixa, enquanto a coluna pode mudar.
$A1 significa que a coluna A permanece fixa, enquanto a linha pode mudar.
Portanto:
A1 — coluna e linha relativas
$A$1 — coluna e linha absolutas
A$1 — linha fixa
$A1 — coluna fixa
Esse assunto merece atenção porque uma única questão pode combinar várias dessas situações.
Uma pegadinha clássica
Considere a fórmula:
=A1*B1
Ela foi escrita na célula C1.
Depois, foi copiada para C2.
Como as referências são relativas, a nova fórmula será:
=A2*B2
Agora imagine:
=A1$B$1*
Quando essa fórmula for copiada uma linha para baixo, teremos:
=A2$B$1*
A referência A1 acompanhou a movimentação.
Já $B$1 permaneceu fixa.
É por isso que entender o funcionamento das referências é muito mais eficiente do que simplesmente decorar exemplos.
Excel e LibreOffice Calc são iguais?
Não exatamente.
Os dois programas trabalham com planilhas eletrônicas e possuem muitos conceitos semelhantes, mas existem diferenças de interface, recursos, funções e comportamento entre versões.
Por isso, existe uma regra simples para quem estuda para concurso:
Leia o edital.
Se o conteúdo mencionar especificamente Microsoft Excel, concentre seus estudos nessa ferramenta.
Se mencionar LibreOffice Calc, também é importante conhecer as particularidades do Calc.
Não presuma que tudo funcionará exatamente da mesma maneira nos dois programas.
Teste seus conhecimentos
Considere os seguintes valores:
A1 = 4
A2 = 6
A3 = 8
A4 = 10
Qual será o resultado de:
=MÉDIA(A1:A4)
Primeiro somamos os valores:
4 + 6 + 8 + 10 = 28
Depois dividimos pelos quatro valores:
28 ÷ 4 = 7
Portanto, a resposta é:
7
Agora considere:
=MÁXIMO(A1:A4)
Resultado:
10
E:
=MÍNIMO(A1:A4)
Resultado:
4
Exercícios simples como esses ajudam a construir a base necessária para resolver questões mais complexas.
Como estudar Excel para concursos sem se perder
Não tente memorizar dezenas de funções logo no início.
Uma sequência mais organizada é começar pela estrutura da planilha, depois estudar células e intervalos, operadores matemáticos, fórmulas, funções básicas, função SE e referências relativas e absolutas.
Depois disso, avance para outros recursos exigidos especificamente pelo seu edital.
Quando errar uma questão, também evite anotar apenas:
“Resposta correta: letra C.”
Registre o conceito que causou o erro.
Por exemplo:
$A$1 = referência absoluta. A coluna e a linha permanecem fixas.
Na próxima revisão, essa informação terá muito mais utilidade.
O que estudar primeiro?
Se você está começando agora, concentre sua primeira etapa nestes assuntos: estrutura da planilha, células, intervalos, fórmulas, operadores matemáticos, SOMA, MÉDIA, MÁXIMO, MÍNIMO, CONT.NÚM, função SE e referências relativas e absolutas.
Com essa base bem compreendida, fica muito mais fácil avançar para conteúdos mais específicos.
Quer estudar informática seguindo uma sequência completa?
Excel é apenas uma das áreas que podem aparecer em informática para concursos.
Windows, Linux, hardware, Internet, redes, segurança da informação e certificação digital também podem fazer parte do conteúdo programático.
Para quem prefere seguir uma trilha já organizada, a Digyo preparou o Informática Essencial para Concursos — Do Zero ao Avançado.
O pacote inclui curso completo, 100 questões, gabarito comentado e plano de estudos de 21 dias.
→Conheça o material completo na Loja Digyo
Conclusão
Excel para concursos fica muito mais simples quando você deixa de enxergar as fórmulas como códigos que precisam ser decorados.
Uma fórmula é uma instrução.
Uma função executa determinada tarefa.
E uma referência informa à planilha onde estão os dados necessários.
Quando você compreende essas três ideias, expressões como =SOMA(A1:A10), =SE(A1>=7;"APROVADO";"REPROVADO") e $A$1 deixam de parecer misteriosas.
A estratégia é simples:
entenda o conceito, pratique, resolva questões e revise seus erros.