Informática costuma aparecer em muitos concursos públicos e, à primeira vista, parece uma matéria simples.

Afinal, usamos computadores e celulares praticamente todos os dias.

O problema é que saber usar tecnologia não é a mesma coisa que saber informática para concurso.

Uma pessoa pode utilizar Windows, navegar pela internet, enviar e-mails e trabalhar com documentos diariamente e ainda encontrar dificuldades em questões sobre memória RAM, protocolos de rede, segurança da informação, atalhos, permissões de arquivos ou fórmulas de planilhas.

Por isso, quem está começando precisa primeiro entender o que estudar e em qual ordem estudar.

Neste artigo, você verá um caminho simples para construir essa base.

Por que informática pode derrubar candidatos?

Grande parte das questões de informática trabalha com conceitos que parecem familiares.

É justamente isso que cria as pegadinhas.

Imagine uma questão perguntando:

Qual é a diferença entre memória RAM e armazenamento?

Para quem utiliza computador apenas no dia a dia, os dois podem parecer simplesmente "memória".

Tecnicamente, porém, são coisas diferentes.

A RAM é utilizada durante a execução dos programas e normalmente perde seu conteúdo quando o computador é desligado.

Já dispositivos como SSD e HD armazenam informações de maneira permanente.

Esse tipo de diferença aparece em praticamente toda a matéria.

Por isso, um bom estudo de informática precisa combinar:

conceito + comparação + questão prática.

1. Comece por hardware e software

Esta é a base.

Hardware corresponde aos componentes físicos do computador.

Alguns exemplos:

  • processador;
  • memória RAM;
  • SSD;
  • HD;
  • teclado;
  • mouse;
  • monitor;
  • impressora.

Já software corresponde aos programas e instruções executados pelo computador.

São exemplos:

  • Windows;
  • Linux;
  • Microsoft Word;
  • LibreOffice;
  • navegadores;
  • aplicativos;
  • antivírus.

Uma maneira simples de lembrar é:

Hardware você toca. Software você executa.

Naturalmente existem detalhes mais técnicos, mas essa distinção inicial ajuda bastante.

CPU

A CPU, ou Unidade Central de Processamento, é responsável por executar instruções e processar dados.

Ela possui componentes internos importantes, como registradores e unidades responsáveis por operações lógicas, matemáticas e de controle.

Memórias

Outro ponto bastante importante é compreender a hierarquia das memórias.

De forma simplificada:

Registradores → Cache → RAM → SSD/HD

Quanto mais próxima do processador, normalmente maior é a velocidade de acesso.

Esse é um assunto aparentemente básico que pode gerar várias questões diferentes.

2. Entenda Windows e Linux

Sistemas operacionais também merecem atenção.

No Windows, alguns assuntos importantes são:

  • arquivos e pastas;
  • unidades de armazenamento;
  • caminhos;
  • Lixeira;
  • permissões;
  • Explorador de Arquivos;
  • Gerenciador de Tarefas;
  • atalhos de teclado.

Alguns atalhos muito conhecidos são:

FunçãoAtalho
CopiarCtrl + C
RecortarCtrl + X
ColarCtrl + V
DesfazerCtrl + Z
Explorador de ArquivosWin + E
Bloquear o computadorWin + L
Gerenciador de TarefasCtrl + Shift + Esc

No Linux, aparecem conceitos diferentes.

Um deles é a estrutura de diretórios.

Enquanto no Windows encontramos unidades como:

C:\

no Linux existe um diretório raiz representado por:

/

Outra diferença importante é que sistemas Linux normalmente são case sensitive.

Isso significa que:

arquivo.txt

e

Arquivo.txt

podem representar arquivos diferentes.

Pequenos detalhes como esse são bastante importantes na hora da prova.

3. Word e Writer: não confie apenas na experiência do dia a dia

Quem utiliza editores de texto frequentemente pode achar que não precisa estudar essa parte.

Esse é um erro comum.

As provas podem cobrar conceitos específicos relacionados a:

  • formatação;
  • parágrafos;
  • alinhamento;
  • margens;
  • orientação da página;
  • cabeçalhos;
  • rodapés;
  • atalhos;
  • impressão;
  • manipulação de documentos.

Também é importante observar qual programa aparece no edital.

Microsoft Word e LibreOffice Writer não são exatamente iguais.

Alguns recursos possuem nomes diferentes e determinados atalhos também podem mudar.

Portanto, sempre observe a ferramenta indicada no conteúdo programático.

4. Excel e Calc: entenda a lógica antes de decorar funções

Planilhas costumam causar medo em alguns candidatos.

Mas começar pelas funções avançadas normalmente piora a situação.

Primeiro entenda quatro conceitos:

célula, referência, intervalo e fórmula.

Uma célula como:

A1

representa a coluna A e a linha 1.

Já:

A1:A10

representa um intervalo.

Depois disso, algumas funções começam a fazer muito mais sentido.

SOMA

=SOMA(A1:A10)

Soma os valores do intervalo.

MÉDIA

=MÉDIA(A1:A10)

Calcula a média dos valores.

MÁXIMO

=MÁXIMO(A1:A10)

Retorna o maior valor.

MÍNIMO

=MÍNIMO(A1:A10)

Retorna o menor valor.

Outra função bastante importante é a função SE.

Por exemplo:

=SE(A1>=7;"APROVADO";"REPROVADO")

A lógica é simples:

Se A1 for maior ou igual a 7, retorna APROVADO.

Caso contrário, retorna REPROVADO.

Quando você entende a lógica, estudar fórmulas deixa de ser apenas um exercício de memorização.

5. Redes e internet vão muito além do navegador

Internet é outro assunto em que o conhecimento cotidiano pode enganar.

Em concursos, podem ser cobrados conceitos relacionados a:

  • Internet;
  • Intranet;
  • Extranet;
  • endereço IP;
  • TCP;
  • UDP;
  • HTTP;
  • HTTPS;
  • FTP;
  • SMTP;
  • POP3;
  • IMAP;
  • computação em nuvem.

Uma forma eficiente de estudar protocolos é associar cada um à sua principal função.

HTTP e HTTPS: acesso a recursos na web.

FTP: transferência de arquivos.

SMTP: envio de e-mails.

POP3 e IMAP: relacionados ao recebimento e acesso às mensagens.

IP: endereçamento e roteamento.

TCP: transporte confiável de dados.

Em vez de tentar decorar dezenas de siglas de uma vez, pergunte:

Qual problema esse protocolo resolve?

A resposta normalmente ajuda a memorizar o conceito.

6. Segurança da informação é assunto obrigatório

Hoje, segurança digital faz parte do cotidiano.

E também das provas.

Alguns conceitos aparecem com frequência:

  • vírus;
  • worms;
  • trojans;
  • ransomware;
  • spyware;
  • phishing;
  • firewall;
  • antivírus;
  • criptografia;
  • backup.

Antes de estudar as ameaças, vale conhecer três princípios fundamentais.

Confidencialidade

A informação deve ser acessada apenas por pessoas autorizadas.

Integridade

A informação não deve sofrer alterações indevidas.

Disponibilidade

A informação e os serviços devem estar disponíveis quando forem necessários.

Esses três conceitos ajudam a compreender boa parte dos assuntos seguintes.

Vírus, worm e trojan não são a mesma coisa

Essa é uma diferença clássica.

Um vírus normalmente depende de algum arquivo hospedeiro para se propagar.

Um worm possui capacidade de propagação independente.

Um trojan, ou cavalo de Troia, tenta se apresentar como algo legítimo ou útil para induzir sua instalação.

Já o ransomware normalmente busca impedir o acesso aos dados da vítima e exigir algum tipo de pagamento.

O phishing, por sua vez, está fortemente ligado à engenharia social: o atacante tenta enganar a pessoa para que ela própria entregue informações ou execute determinada ação.

Perceba que compreender as diferenças é muito mais eficiente do que decorar uma definição isolada.

7. Certificação digital também pode aparecer

Alguns editais avançam para assuntos relacionados a:

  • criptografia;
  • assinatura eletrônica;
  • assinatura digital;
  • certificados digitais;
  • chaves públicas e privadas.

Um conceito importante é a diferença entre criptografia simétrica e assimétrica.

Na criptografia simétrica, utiliza-se uma chave compartilhada no processo de criptografia e descriptografia.

Na criptografia assimétrica, utiliza-se um par de chaves matematicamente relacionadas:

chave pública + chave privada.

Esse modelo está relacionado a tecnologias utilizadas em certificados e assinaturas digitais.

Mesmo que pareça um assunto mais avançado, ele se torna muito mais simples quando estudado depois dos fundamentos de segurança da informação.

Qual é a melhor ordem para estudar informática?

Para quem está começando do zero, uma sequência lógica é:

1. Hardware e software

↓

2. Windows e Linux

↓

3. Editores de texto

↓

4. Planilhas

↓

5. Redes e Internet

↓

6. Segurança da Informação

↓

7. Certificação e Assinatura Digital

A vantagem dessa sequência é que um assunto começa a servir de base para o próximo.

Você não precisa entender criptografia antes de compreender o que são redes, sistemas e segurança.

Não estude somente lendo

Esse talvez seja o ponto mais importante.

Informática precisa de exercício.

Depois de estudar determinado assunto, resolva algumas questões.

Quando errar, tente identificar o motivo.

Existem pelo menos quatro tipos comuns de erro:

Não sabia o conteúdo.

Você precisa voltar à teoria.

Confundiu dois conceitos.

Crie uma comparação entre eles.

Caiu em uma pegadinha.

Registre a forma como a questão tentou induzir ao erro.

Leu rápido demais.

Nesse caso, o problema não é necessariamente conhecimento.

Essa análise transforma uma questão errada em parte do aprendizado.

Crie um caderno de erros

Você não precisa escrever páginas inteiras.

Imagine que tenha errado uma questão porque confundiu memória RAM com SSD.

Anote simplesmente:

RAM: memória de trabalho, volátil.
SSD: armazenamento permanente.

Se posteriormente você confundir POP3 e SMTP:

POP3: recebimento.
SMTP: envio.

Depois de algumas semanas, você terá uma lista extremamente valiosa:

os assuntos que você pessoalmente tende a errar.

Isso é muito mais útil do que revisar tudo sempre da mesma maneira.

Um exemplo de rotina de estudo

Quem dispõe de pouco tempo pode utilizar algo simples.

30 minutos

Estudo da teoria.

20 minutos

Questões sobre o assunto estudado.

10 minutos

Correção e registro dos erros.

Uma hora bem utilizada pode render mais do que várias horas de leitura sem objetivo.

Nos dias seguintes, reveja rapidamente os erros anteriores antes de avançar.

Preciso estudar informática todos os dias?

Não necessariamente.

O mais importante é manter constância.

Você pode, por exemplo, estudar informática três vezes por semana e reservar um quarto momento apenas para questões e revisão.

A frequência ideal também depende do peso da disciplina no concurso que você pretende prestar.

Sempre consulte o edital ou, quando ainda não houver edital publicado, o conteúdo das seleções anteriores para o mesmo cargo ou área.

Começando hoje: o que fazer?

Se você decidiu começar agora, não tente estudar tudo neste primeiro dia.

Comece por:

hardware, software, CPU, memória RAM, armazenamento e periféricos.

Depois resolva algumas questões somente sobre esses assuntos.

Quando estiver confortável com essa base, avance para sistemas operacionais.

O objetivo inicial não é velocidade.

É construir uma estrutura de conhecimento que permita compreender os assuntos seguintes.

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Conclusão

Informática para concursos deixa de parecer complicada quando o conteúdo é dividido em etapas.

Não comece tentando decorar centenas de atalhos, protocolos e fórmulas.

Primeiro entenda os fundamentos.

Depois compare conceitos semelhantes.

Em seguida, resolva questões.

E transforme seus erros em material de revisão.

A sequência pode ser resumida assim:

Aprenda → pratique → erre → entenda o erro → revise → avance.

É muito mais produtivo dominar um assunto de cada vez do que simplesmente tentar consumir uma grande quantidade de conteúdo.

E, principalmente, lembre-se:

informática de concurso não é uma prova para descobrir quem usa mais o computador. É uma prova para descobrir quem entende os conceitos que estão por trás dele.